13 de outubro de 2010

versos do dia para pensar em como esquecer


O verão chegou trazendo a voz
Da paixão que escorre mel do sol
E incendeia o nosso coração
Menino
Brincando na areia.
(Mel do Sol - Oswaldo Montenegro)

É isso aí!
Há quem acredite em milagres
Há quem cometa maldades
Há quem não saiba dizer a verdade.
(É isso aí - Ana Carolina e Seu Jorge)

E quando a saudade insistir, insistir
Em chegar perto de mim
Imagino que você está aqui
Meu anjo, meu sonho, meu coração
Te amando, espantando a solidão.
(Imagino - Banda Calypso)

Eu conheço o medo de ir embora
Embora não pareça, a dor vai passar
Lembra se puder
Se não der, esqueça
De algum jeito vai passar.
(Estrada nova - Oswaldo Montenegro)

Foto: Odailso Berté

12 de outubro de 2010

Dedicatória a um coração menino



Mel do Sol
Tema da Branca de Neve


O verão chegou trazendo a voz
Da paixão que escorre mel do sol
E incendeia o nosso coração
Menino
Brincando na areia
Que o verão saiba cuidar de nós
Passageiros como a luz do sol
Que incendeia o nosso coração
Menino
Brincando na areia
Madrepérola de cores vãs
No vitral insone das manhãs
Que eu vi passar quanto mais
Menino
Brincava na areia
Que a paixão saiba cuidar de nós
Que você beba do mel do sol
E que a sombra que o verão trará
Possa descansar seu corpo
Menino
Brincando na areia


Oswaldo Montenegro

dói story


Depois dos noturnos pesadelos onde eu era abandonado por um amor em meio a congressistas desconhecidos, acordei. Como na época em que eu ainda tinha medo do sono, da noite, do escuro, amanheci para mais um dia da criança.

Revisitei as mãos carinhosas da mãe que me ajudava a descer das árvores quando eu não conseguia, a vontade de voar com a She-ra montado no Ventania, as garças brancas na aveia verde, as úmidas manhãs de inverno, a primeira coreografia que me fez ‘brincar de índio’, os especiais de natal da Xuxa, a coleção de figuras da Ana Raio... Tanta coisa.

Meus brinquedos, minhas vontades, minhas coreografias, hoje são outros, mais complexos e densos. Mas percebo que nada daquilo ficou perdido lá atrás, seguem intensificados em mim.

Meu rosto hoje tem traços adultos que à mercê de um simples olhar, uma lembrança, uma imagem, ganham tons infantes e novamente eu quero subir nas árvores, voar no Ventania e correr com as garças no meio da aveia.

Das garças, tenho uma imagem que ganhei de alguém especial. No caso da She-ra, comprei os DVDs. Mas da mãe não tenho mais as mãos.

No sol que agora se põe atrás dos prédios, findando o dia da criança, ouço um cantar que diz: “a tristeza tem sempre uma esperança de um dia não ser mais triste”.


Foto: Odailso Berté

Amar Perder Esquecer

Retratos coloridos que, queimados, ficam pretos, retratando queimaduras no próprio corpo, ao som de “retrato em preto e branco”. Um grande amor vivido, mesmo que a necessidade de esquecê-lo traga dores físicas. Um gosto corporal pela chuva, mesmo que venham os 40 graus de febre.

Situações dramáticas, graciosas e acadêmicas adornadas com o sabor literário de temas e nomes como ‘Virgínia Woolf’ e ‘O Morro dos Ventos Uivantes’. Cotidianos que misturam arte, intelectualidade, romantismo e vulnerabilidade.


“O que é o contrário do amor? O ódio? Não, é muito óbvio. O contrário do amor é uma constante perplexidade ferida.” Tessituras, texturas e textos que soam a naturalidade das questões vividas por humanos que assumem a existência com todas as suas nuances. Seus problemas são coisas comuns a humanos comuns: amor, morte, trabalho, moradia, etc. Seus problemas não beiram as trágicas dúvidas sobre a (homo)sexualidade, isso é algo muito bem resolvido pelos personagens em imagens onde ‘ser gay’ não é problema, mas uma entre as tantas condições humanas.


Diálogos afiados e inteligentes tornam a probabilidade deprimente da situação um cotidiano onde, entre outras coisas, se vive, trabalha, ama, sonha e sofre. Uma comum unidade, um trio de trocas de afetos, desgostos e prazeres que se demonstram sob o mesmo teto. Paredes coloridas, uma casa adequada por gostos que se discutem ou se lamentam.


Um banho de chuva na noite, um amor perdido, um guarda chuva, um gatinho perdido... Um gatinho que aparece à noite miando na janela, nova possibilidade de amar que necessita reparos e alívios:

“(...) respirar como respiraria uma montanha, fundamente, (...) um alívio selvagem: não mais depender do coração alheio. Não mais olhar o relógio com angústia, quando um atraso pode significar desaparecimento. Não estar mais ligada por um fio invisível a um corpo externo a mim do qual dependia minha paz.”


Quando esquecimento e perda dão-se as mãos na tentativa de atenuar a ferida deixada pelo amor... Assim, o corpo vai entendendo aos poucos que “o amor é sempre um pacto contra o tempo”. E que, portanto: “Esquecer mais do que nunca será ter perdido.”


Ana Paula Arósio, Arieta Corrêa, Murilo Rosa, Natália Lage e outros, com direção de Malu de Martino, fazem do filme “Como esquecer” (2010), baseado no livro “Como esquecer: anotações quase inglesas” de Myriam Campello, uma obra cinematográfica natural, forte e doce, em imagens para ver e não esquecer que somos assim, humanos que amam.


Imagens capturadas em:
http://www.m-appeal.com/M-Appeal.com/our_films/Seiten/SO_HARD_TO_FORGET.html
http://www.cinepop.com.br/filmes/comoesquecer.php

11 de outubro de 2010

Sex and the Hope


Quando, no jogo do amor, perdemos duas partidas consecutivas, ainda vale a pena apostar?

Há momentos em que parece mais viável não acreditar outra vez no amor. A sensação de que a esperança foi embora estimula o ceticismo e aciona todos os sinais de alarme quando um suposto perigo amoroso se aproxima.

Sentir na pele a partida de um bem querer nos torna meio ateus diante das juras de amor. Ficamos alijados daquela vontade boa de estar aberto para um flerte, uma paquera. Medo e descrença tomam posse do terreno que antes era habitado pelo amor.

A experiência de se desfazer, dia após dia, de um grande amor deixa doido o mais plácido dos humanos, mesmo que esse não demonstre. Refazer a imagem da pessoa amada, ver seus lábios, seus olhos, seus gestos e calar a vontade de tê-los novamente, transforma nossa condição humana relacional.

Aos poucos vamos embrutecendo o jeito de ser, encarando a realidade como ela é e aprendendo que romantismos são mesmo coisas de poemas, contos, músicas ou filmes. Alguns chamam isso de amadurecimento, perda da inocência. Outros, de perda da esperança.

Construímos muros e instalamos alarmes, enjaulamos a esperança. Queremos ser seguros e fortes a partir de nós mesmos, em outras palavras, queremos ser independentes. Não mais depender de outrem. Não mais deixar que nossos sentimentos se dobrem diante de outro. Não mais friozinho na barriga. Não mais sofrimento e lágrimas por amor.

O amor se foi a levou junto nossa esperança. Seguiremos, de agora em diante, mais pessimistas? Ou seremos mais precavidos antes de entregar nosso coração? A esperança é a ‘única’ ou a ‘última’ que morre?

Amar e esperar são dois verbos que não ganharão conjugação por um bom tempo em nossas redações. Serão apenas palavras, sem gerúndio, particípio e infinitivo, sem tempo. Guardadas no dicionário de erros de pronúncia. Palavras de efeito, rebuscadas, adornos de poesia, recursos de retórica.

Em tempos de ‘Comer, Rezar e Amar’, o que acontece com quem acredita só no primeiro verbo?

Imagem: obra "Hope" de George Frederick Watts
Capturada em: http://www.paintinghere.com/painting/Watts_Hope_430.html

Ao mestre com carinho


Luz! Câmera! Ação!



Cena: 'Entre a Cruz e a Charmosa'
Roteiro: 'Abraços volvidos'


Estampas nas camisetas do Wolney e do Oda.
Foto: Odailso Berté

My Grey Garden


Decidi passar todo o feriado em casa, em função de mim mesmo, com vontade de aprender a desamar.
Cozinhei só para mim, fiz compras só para mim.
Pintei várias camisetas só com mulheres, atrizes e heroínas.
Comi uma torta de limão sozinho e dispensei a carteira de cigarros.
Escrevi novas postagens e vi mais dois capítulos da minha atual série preferida.
Assisti duas vezes ao mesmo filme e me emocionei duplamente. Repeti a dancinha e saí gritando sozinho pela casa: "Edieeeeeeee!"
Como Edie, não sou um bom faxineiro.


Foto: Odailso Berté

feminismo animado


Diretamente da 'Sala de Justiça' e da 'Toca dos Gatos' para o meu peito.


Estampas para camisetas do Oda.
Foto: Odailso Berté

10 de outubro de 2010

Jardins Cinzentos


Em que estamos dispostos a gastar nossa vida? A arte ainda é um sonho de loucos? Qual o limite entre o luxo e o lixo? Como continuar a vida mesmo tendo perdido a própria música?

Perguntas desenhadas nas imagens do jardim cinzento habitado por mãe e filha, duas mulheres que se isolam da vida em sociedade, do casamento, dos homens, do dinheiro.


Vidas reclusas, uma em função da outra. Vidas privadas, presas em si mesmas. Vidas restritas, habitantes de um mundo que é sua própria casa.

O sonho de ser artista, a mãe cantora e a filha dançarina, (sub)emerge naquela paráfrase da realidade que elas criaram dentro de casa, onde o luxo e o lixo foram se misturando numa espantosa harmonia.


Uma singela loucura faz das duas mulheres um misto de pessoa e personagem que não mais sente as mazelas da solidão, do fracasso, da miséria. Pelo contrário, habituam-se a elas de um modo peculiar, compondo um cotidiano lúgubre e meio anárquico.


Entre insetos, gatos, guaxinins e outros bichos que conseguem habitar a sujeira, vivem, no filme, e viveram na realidade, as parentes de Jacqueline Kennedy. “Grey Gardens do luxo à decadência” (2009), dirigido por Michael Sucsy, conta uma história que, por mais hedionda que pareça, é baseada num acontecimento real. Duas mulheres reais optaram por viver num jardim cinzento.


Jessica Lange e Drew Barrymore fazem de sua interpretação uma verdadeira experiência antropológica, dando vida à Edie mãe e à Edie filha e criando imagens que borram os limites entre ser e atuar. "Eu só disse frases sensatas nesse filme, não é"? Pergunta Edie mãe. "Sim, mamãe, você é uma estrela!" Responde Edie filha.

Quando desistência, acomodação e independência se misturam tornando-se uma opção de vida. Uma história assim, nasceu para virar filme. Como Edie mãe, quando questionada acerca de se tinha algum comentário sobre o documentário produzido sobre suas vidas, finalizo dizendo: “Está tudo no filme”.

Imagens capturadas em:
http://wesduvall.com/new-york-magazine/
http://www.starpulse.com/Movies/Grey_Gardens/Pictures/

8 de outubro de 2010

imagenciando olhares




Olhando nos olhos da imagem, vi que ela também me vê.


Pintura de Roque Silva em um muro da Rua Miguel Burnier, Barra - Salvador/BA
Fotos: Odailso Berté

a esmo


Esparramado nas calçadas do Pelourinho, aproveitando o calor preguiçoso do meio dia, ele curtia uma folga de sua função de "melhor amigo do homem". Fingindo-se de morto, entre os sonhos do seu deleite, ele parecia caminhar pelas paredes.

Foto: Odailso Berté

AD VENTO


Ao longe avistei... A futura mamãe, deitada no chão do parquinho, acariciando com os olhos o brincar das crianças, antevendo doçuras e travessuras vindouras. O futuro papai, acariciando a barriga dela, antecipando carinhos e ternura ao bebê. Doce espera sentida nos olhos e na palma da mão. Nessa imagem, já com aroma de Natal, percebi que mais um ano já se encaminha para o fim. É a vida que continua...

Foto: Odailso Berté

6 de outubro de 2010

5 de outubro de 2010

conselhos de vida pintados por Frida


"Em vez de chorar, ela pinta quadros que choram por ela."




"Ela conseguiu transformar sua dor em beleza."


Imagens do livro "Frida"
Escrito por Jonah Winter
Ilustrado por Ana Juan

4 de outubro de 2010

Imagens de quem quer bem


Penélopes: a Cruz para a Charmosa.




Que ela estampe maravilhas no solitário peito dele.


Estampas na blusa da Rita e na camiseta do Wolney.
Fotos: Odailso Berté

sobre vivências


Mesmo no que parece ruínas há janelas abertas e brota em verdes a esperança.

Foto: Odailso Berté

a(r)qui(t)etando imagens


Janela com porta...


Não rima.


Mas bem que combina.


Pelourinho, Salvador/BA
Fotos: Odailso Berté

3 de outubro de 2010

Amiúde…



Espalho coisas no chão e vejo que são só meros devaneios tolos a me torturar. Com tantas violetas velhas sem um colibri, não faz mal descer da solidão e ir a nocaute outra vez.
Chão de giz.
Vão que fiz.
Não que diz.
Mão que quis.


"Chão de Giz" - Elba Ramalho

Bramasole: almejar o sol

Um conto bordado de realidades, nossas e de outros. Possíveis alternativas de trajetória após uma grande desilusão amorosa que consome, além dos sentimentos, o próprio lar que antes abrigava a relação.

Que bens levar dessa relação ferida? Um pequeno vaso azul e algumas caixas com livros. Desapego que proporciona, diante do inusitado, abertura para lançar mão da oportunidade de fazer o novo acontecer. Um novo lar a construir, em terras distantes, debaixo do sol da Toscana, uma casa quase em ruínas a ser restaurada junto das ruínas pessoais.

“Afinal, o que são quatro paredes? A casa é o seu morador. A casa protege o sonhador.”


"O menor desvio no meio do caminho e eu estaria em outro lugar, eu seria diferente." Cada detalhe envolve escolhas que interferem drasticamente no rumo da vida. Podemos alterar o cotidiano com um simples olhar. Imagens, olhares e lugares movem mundos. No como eu vejo e no como me veem, infinitas relações podem ser tecidas.


Por que o amor nos deixa meio abobalhados? O velhinho sempre leva flores e deposita no vaso ao lado da imagem da Santa. Faz a mesma coisa todos os dias. Por que ele não desiste e parte para outra?


Quando, no amor, se procura uma vez e nada se encontra, não quer dizer que não exista. Esperanças podem brotar, mas o (m)eu terreno precisa ser, constantemente, cultivado.

“Dizem que assentaram os trilhos nos Alpes entre Viena a Veneza antes que houvesse um trem para fazer o trajeto, mas mesmo assim construíram. Eles sabiam que um dia o trem chegaria.”

Em poéticas imagens, palavras e gestos, Diane Lane, sob direção de Audrey Wells, desperta no olhar o desejo de estar “Sob o Sol da Toscana” (2003), um filme onde, da mesma forma que na vida, “coisas inesperadamente boas podem acontecer até no último momento. É uma surpresa e tanto.”


Imagens capturadas em:
http://hookedonhouses.net/2009/08/16/diane-lanes-italian-villa-in-under-the-tuscan-sun/

2 de outubro de 2010

certeza ventilada de poesia


Como quem desafia a gravidade, ele preferiu o fio ao galho, inclinou a cabeça e sussurrou pela minha janela: "Abra tuas asas e voe para onde não te dói o coração, lá onde o amor mora".

Foto: Odailso Berté