11 de outubro de 2010

My Grey Garden


Decidi passar todo o feriado em casa, em função de mim mesmo, com vontade de aprender a desamar.
Cozinhei só para mim, fiz compras só para mim.
Pintei várias camisetas só com mulheres, atrizes e heroínas.
Comi uma torta de limão sozinho e dispensei a carteira de cigarros.
Escrevi novas postagens e vi mais dois capítulos da minha atual série preferida.
Assisti duas vezes ao mesmo filme e me emocionei duplamente. Repeti a dancinha e saí gritando sozinho pela casa: "Edieeeeeeee!"
Como Edie, não sou um bom faxineiro.


Foto: Odailso Berté

feminismo animado


Diretamente da 'Sala de Justiça' e da 'Toca dos Gatos' para o meu peito.


Estampas para camisetas do Oda.
Foto: Odailso Berté

10 de outubro de 2010

Jardins Cinzentos


Em que estamos dispostos a gastar nossa vida? A arte ainda é um sonho de loucos? Qual o limite entre o luxo e o lixo? Como continuar a vida mesmo tendo perdido a própria música?

Perguntas desenhadas nas imagens do jardim cinzento habitado por mãe e filha, duas mulheres que se isolam da vida em sociedade, do casamento, dos homens, do dinheiro.


Vidas reclusas, uma em função da outra. Vidas privadas, presas em si mesmas. Vidas restritas, habitantes de um mundo que é sua própria casa.

O sonho de ser artista, a mãe cantora e a filha dançarina, (sub)emerge naquela paráfrase da realidade que elas criaram dentro de casa, onde o luxo e o lixo foram se misturando numa espantosa harmonia.


Uma singela loucura faz das duas mulheres um misto de pessoa e personagem que não mais sente as mazelas da solidão, do fracasso, da miséria. Pelo contrário, habituam-se a elas de um modo peculiar, compondo um cotidiano lúgubre e meio anárquico.


Entre insetos, gatos, guaxinins e outros bichos que conseguem habitar a sujeira, vivem, no filme, e viveram na realidade, as parentes de Jacqueline Kennedy. “Grey Gardens do luxo à decadência” (2009), dirigido por Michael Sucsy, conta uma história que, por mais hedionda que pareça, é baseada num acontecimento real. Duas mulheres reais optaram por viver num jardim cinzento.


Jessica Lange e Drew Barrymore fazem de sua interpretação uma verdadeira experiência antropológica, dando vida à Edie mãe e à Edie filha e criando imagens que borram os limites entre ser e atuar. "Eu só disse frases sensatas nesse filme, não é"? Pergunta Edie mãe. "Sim, mamãe, você é uma estrela!" Responde Edie filha.

Quando desistência, acomodação e independência se misturam tornando-se uma opção de vida. Uma história assim, nasceu para virar filme. Como Edie mãe, quando questionada acerca de se tinha algum comentário sobre o documentário produzido sobre suas vidas, finalizo dizendo: “Está tudo no filme”.

Imagens capturadas em:
http://wesduvall.com/new-york-magazine/
http://www.starpulse.com/Movies/Grey_Gardens/Pictures/

8 de outubro de 2010

imagenciando olhares




Olhando nos olhos da imagem, vi que ela também me vê.


Pintura de Roque Silva em um muro da Rua Miguel Burnier, Barra - Salvador/BA
Fotos: Odailso Berté

a esmo


Esparramado nas calçadas do Pelourinho, aproveitando o calor preguiçoso do meio dia, ele curtia uma folga de sua função de "melhor amigo do homem". Fingindo-se de morto, entre os sonhos do seu deleite, ele parecia caminhar pelas paredes.

Foto: Odailso Berté

AD VENTO


Ao longe avistei... A futura mamãe, deitada no chão do parquinho, acariciando com os olhos o brincar das crianças, antevendo doçuras e travessuras vindouras. O futuro papai, acariciando a barriga dela, antecipando carinhos e ternura ao bebê. Doce espera sentida nos olhos e na palma da mão. Nessa imagem, já com aroma de Natal, percebi que mais um ano já se encaminha para o fim. É a vida que continua...

Foto: Odailso Berté

6 de outubro de 2010

5 de outubro de 2010

conselhos de vida pintados por Frida


"Em vez de chorar, ela pinta quadros que choram por ela."




"Ela conseguiu transformar sua dor em beleza."


Imagens do livro "Frida"
Escrito por Jonah Winter
Ilustrado por Ana Juan

4 de outubro de 2010

Imagens de quem quer bem


Penélopes: a Cruz para a Charmosa.




Que ela estampe maravilhas no solitário peito dele.


Estampas na blusa da Rita e na camiseta do Wolney.
Fotos: Odailso Berté

sobre vivências


Mesmo no que parece ruínas há janelas abertas e brota em verdes a esperança.

Foto: Odailso Berté

a(r)qui(t)etando imagens


Janela com porta...


Não rima.


Mas bem que combina.


Pelourinho, Salvador/BA
Fotos: Odailso Berté

3 de outubro de 2010

Amiúde…



Espalho coisas no chão e vejo que são só meros devaneios tolos a me torturar. Com tantas violetas velhas sem um colibri, não faz mal descer da solidão e ir a nocaute outra vez.
Chão de giz.
Vão que fiz.
Não que diz.
Mão que quis.


"Chão de Giz" - Elba Ramalho

Bramasole: almejar o sol

Um conto bordado de realidades, nossas e de outros. Possíveis alternativas de trajetória após uma grande desilusão amorosa que consome, além dos sentimentos, o próprio lar que antes abrigava a relação.

Que bens levar dessa relação ferida? Um pequeno vaso azul e algumas caixas com livros. Desapego que proporciona, diante do inusitado, abertura para lançar mão da oportunidade de fazer o novo acontecer. Um novo lar a construir, em terras distantes, debaixo do sol da Toscana, uma casa quase em ruínas a ser restaurada junto das ruínas pessoais.

“Afinal, o que são quatro paredes? A casa é o seu morador. A casa protege o sonhador.”


"O menor desvio no meio do caminho e eu estaria em outro lugar, eu seria diferente." Cada detalhe envolve escolhas que interferem drasticamente no rumo da vida. Podemos alterar o cotidiano com um simples olhar. Imagens, olhares e lugares movem mundos. No como eu vejo e no como me veem, infinitas relações podem ser tecidas.


Por que o amor nos deixa meio abobalhados? O velhinho sempre leva flores e deposita no vaso ao lado da imagem da Santa. Faz a mesma coisa todos os dias. Por que ele não desiste e parte para outra?


Quando, no amor, se procura uma vez e nada se encontra, não quer dizer que não exista. Esperanças podem brotar, mas o (m)eu terreno precisa ser, constantemente, cultivado.

“Dizem que assentaram os trilhos nos Alpes entre Viena a Veneza antes que houvesse um trem para fazer o trajeto, mas mesmo assim construíram. Eles sabiam que um dia o trem chegaria.”

Em poéticas imagens, palavras e gestos, Diane Lane, sob direção de Audrey Wells, desperta no olhar o desejo de estar “Sob o Sol da Toscana” (2003), um filme onde, da mesma forma que na vida, “coisas inesperadamente boas podem acontecer até no último momento. É uma surpresa e tanto.”


Imagens capturadas em:
http://hookedonhouses.net/2009/08/16/diane-lanes-italian-villa-in-under-the-tuscan-sun/

2 de outubro de 2010

certeza ventilada de poesia


Como quem desafia a gravidade, ele preferiu o fio ao galho, inclinou a cabeça e sussurrou pela minha janela: "Abra tuas asas e voe para onde não te dói o coração, lá onde o amor mora".

Foto: Odailso Berté

30 de setembro de 2010

Barbies. Rainhas. Estrelas. Mulheres. (solos)








Exposição 'Black Barbie' - Barra Shopping de Salvador/BA
Acervo do colecionador Carlos Keffer

Fotos: Odailso Berté

(signi)FICA!



Quando ficar significa tanto, pois traz a permanência daquilo que dignifica a humana condição: 'Amo, logo existo'.

Coreografia Song '99 - Dimitris Papaioannou

29 de setembro de 2010

Sex and the Tea


Quando adentramos no processo de customização da perda do amor, instauramos uma espécie de ‘chá das cinco’ para honrar ou blasfemar a Eros – o deus amor. Criamos um cenário meio cult e épico, momentos onde recitamos trechos de romances e poemas, nos reportamos a inúmeras cenas de filmes românticos, proferimos discursos e críticas acerca da falibilidade ou veracidade do amor a partir desse difícil momento em que ele nos mostra suas outras artimanhas que não são tão românticas.

Tomar um ‘chá de sumiço’ seria uma alternativa melhor para tornar esse processo menos dramático? Abandonar os afazeres cotidianos, mudar completamente a rotina, ou ainda, sumir da realidade posta seria mais eficaz? Para certas pessoas, reorganizar a vida, as coisas, o cotidiano, sumir da realidade na forma em que ela vinha sendo organizada até então, pode parecer uma possibilidade saudável para não beirar momentos deprimentes quando se trata de esquecer o amor que acabou.

E o ‘chá de consolo’, como pode nos ser útil nesse momento? Como compensamos a falta do amor perdido? A sublimação pode funcionar como um procedimento metafórico, ou seja, nos contentarmos com uma coisa em termos de outra. Certas substituições podem satisfazer a vontade que nasce da falta do elo perdido: amigos, festas, passeios, compras, estudo, etc. Sem contar as coisas ‘ilícitas’ que, por vezes, acabam entrando na lista de alguns amantes (de)cadentes. São possibilidades que inventamos no afã de driblar a nostalgia.

Em que medida o ‘chá de trepadeira’ pode resolver a fossa pós relação? Vale a pena compensar a falta do amor que se foi entrando no jogo do ‘prazer por prazer’? Certos de nós, ‘homo sapiens’, ou, quem sabe, ‘homo sexyens’, acreditam que a melhor forma de deletar as marcas deixadas pelo ex-amor é adentrar no ramo do sexo fácil para provar novos sabores e assim apagar o gosto do antigo. E o sexo pode ser, assim, um motivo para afogar mágoas num cálice de paliativos gozosos.

E que efeito pode trazer o ‘chá de cadeira’ nesta situação de abraços partidos? De que serve a esperança numa hora dessas? Alguns de nós se põem no modo de espera, ou seja, constrói uma agridoce ilusão de que o outro vai voltar e por isso fica sentado esperando. Outros, se colocam na postura de espera do novo amor, alguém que surja, capture e arrebate o coração esperançoso que ainda acredita no amor, apesar da rasteira que este lhe deu.

Nesse ‘chá das cinco’, que pode ser a qualquer hora do dia ou da noite, vamos nos alternando nos sabores que queremos sentir, nos efeitos que esperamos, nos novos modos de ser e estar que achamos viáveis, nas posturas a serem tomadas e nas palavras a serem usadas quando a questão for ‘amor’. E assim, entre as enxaquecas, enjôos e possíveis mal estares da perda do amor, que algumas das posturas, decisões e chás tomados nos façam ficar bons por nós próprios, entendendo que o ex-amor é um outro autônomo e não uma personagem do nosso enredo romântico.

Foto: Odailso Berté

28 de setembro de 2010

Eu (in)vejo Alice


Alice, desde que você chegou de camiseta, ainda não consegui dizer que já vi você muitas vezes, porém hoje, mais atentamente e de um jeito incomum, eu (in)vejo você. O fato de você reclamar a importância das imagens nos livros sempre me causou enorme admiração. Mas agora, o motivo é outro.

Queria eu ser um desenho como você. Pudera eu ser apagado nos erros e refeito com maestria. Quisera eu receber um olhar minucioso, cálidos reparos e retoques dedicados daquelas hábeis mãos. Pois sei de como elas amam essa arte. Sei também de como elas perseguem e adentram a visceralidade do ato de desenhar e concebem cada imagem como um ser estético com o qual se pode dialogar.

Alice, que bom que você veio. Nesse tempo em que me fogem as maravilhas de outrora, a vontade de ser um desenho bonito resignifica o viver de cada dia. Você viu como as pessoas lhe elogiam quando saímos juntos? Fico tão feliz. Já lhe disse que você parece a Marilyn Monroe? Sim, olha só a inquietude do seu vestido. Ah, também adoro você equilibrando essa xícara na cabeça? Ganhou-a do Chapeleiro? Seu autor é muito astuto. Ouvi dizer que, ainda bem pequeno, ele desenhava a Mulher Maravilha nas revistas da mãe dele. Imagine só, um 'geninho' desde criança.

Hoje iremos juntos para a escola, mas temos que acomodar seu coelho e seu gato para que não atrapalhem a aula. Aliás, eles já estão bem camuflados assim. Já lhe disse que gato é meu bicho preferido? Bem, Alice, cuide de seus bichos enquanto eu estudo mais um pouco e assim, pode ser que esse meu sonho animado, de ser um desenho, tome jeito e me deixe ser eu outra vez. Eu, um des(d)enho humano. Às vezes acho que quando Deus me desenhou ele não estava namorando.


Fotos: Odailso Berté
Desenho: Wolney Fernandes

27 de setembro de 2010

com porta menta(L)


Quando presentes, princípios, pesares, prazeres e poemas são todos pentelhos do mesmo saco.


Foto: Odailso Berté

26 de setembro de 2010

Quando a imagem da tela vem das imagens da vida


“Não quero falar muito. A melhor maneira de matarmos um filme é falarmos sobre ele”. Quando um mestre fica sem saber o que falar, gostaria de ter um duplo de si, fazer um dueto consigo mesmo e cantar seu próprio acompanhamento. Este é o drama do diretor italiano de cinema Guido Contini (Daniel Day-Lewis) que se vê sem inspiração para o roteiro de seu mais novo filme. Sua imaginação não teve treinamento moral, ela é o jardim de Deus onde brincou o diabo.

Ele deu um passo errado e todos os outros saíram errados. Sobre o que trata o seu novo filme? Ele pode contar sobre o enredo, o elenco, a música. Mas por que todos perguntam pelo roteiro? O público não está interessado no roteiro, mas em como a câmera passa de um rosto para a lua, em como se chora, sorri, enrubesce... E isso não está no roteiro... Está no cotidiano do artista, nas questões vividas, nas pessoas que mais lhe marcaram, essas sim, suas musas:

A Mãe (Sophia Loren), seu colo e afeto, uma ausência que se faz presente quando bate o desalento. Seu amparo dizia: “Olhe a lua que sorri mandando sua benção para você.” Amores virão, mas nunca como o materno que num beijo de boa noite nos mantém para sempre perfeitos. Na aflição o abraço da mãe é o sonho carinhoso do qual não se quer acordar. Mas junto da ternura ficam também os firmes conselhos: “A ninguém mais cabe achar o seu caminho, só a você”.


Saraghina (Fergie), a prostituta que o fez passar de menino a homem, que lhe ensinou como fazer uma mulher feliz apostando naquilo que a natureza lhe deu. E a puta lição de vida para sempre decorada foi: “Colha a flor antes que você perca a chance e viva o dia de hoje como se fosse o último”.


Luisa (Marion Cotillard), esposa de um marido que faz filmes e, por isso, ele vive numa espécie de sonho no qual seus atos nem sempre são o que parecem. Ele pode criar temas românticos na sua imaginação, ele engendra fantasias, as vive e as dá. Mas ele não sabe distinguir seu trabalho de seu lar. Ele é o gênio, o diretor e ela a fã, a atriz, a amante. Infinitos sonhos tiveram a compartilhar num tempo em que cantavam juntos a noite toda ao telefone. Mas, como a respiração, ele abre a boca e só saem mentiras. Seu esforço de mentir e trair é exaustivo. E exausta ela confessa: “Não me admira não ter roteiro, pois está ocupado inventando sua vida”.


Carla (Penélope Cruz), a amante, uma brincadeira de faz de conta. A menina selvagem que ao se apaixonar por esse galã (des)conhecido, foi como se entrasse num quarto errado, onde o homem, na cama, não tem a mínima idéia de quem ela seja, mas a deseja. Enquanto ele vive sua vida sem dela se lembrar, ela insiste: “Eu continuo aqui... Vou ficar aqui te esperando com as pernas abertas”.


Lili (Judi Dench), a figurinista, seu constante incentivo a criar. Atenta à vontade do público de sorrir, amar e sonhar por meio dos filmes. Essas são propriedades infantes e assim, diz ela: “Se deixar de ser criança nunca irá fazer outro filme”.


Stephanie (Kate Hudson), a jornalista deslumbrada pelo estilo e beleza do cinema italiano e do uomo romano que despe as mulheres com os olhos. Curiosa tanto em relação aos limites do que se pode mostrar num filme quanto ao que o diretor não mostra no filme. Para ela, a vida é real com o cinema italiano.


Claudia (Nicole Kidman), atriz e inspiração ao mesmo tempo, cabelo e maquiagem para um papel que não se sabe o qual. A personagem que ao invés de ser a mulher por trás dos grandes homens, prefere ser o homem. Mulher fantasia sobre um pedestal, compartimentada e escondida entre os elementos que compõem sua personagem. Insatisfeita com o amor mediado pela câmera ela se mostra real: “Não consigo continuar com esse papel”.


Sem roteiro, sem inspiração, sem elenco... Sem filme. Sem mais invenções, o mestre confessa: “Não existe filme, não posso mais fingir”. Seu corpo se aproxima dos 50, mas sua mente dos 10, ele é a pessoa que nunca cresceu. O único filme que poderia fazer agora é o de um homem tentando ter o seu amor de volta. Um recomeço, uma história de reconciliação...

Título: Nine. Direção: Guido Contini. Ação!


Quando deixamos nosso eu criança sentar em nosso colo, o roteiro da vida se abre e a criatividade desata dançando solta. Assim se mostra "NINE" (2009), do diretor Rob Marshall, fazendo da ausência de roteiro um roteiro poético e caloroso, a ponto de provocar êxtase e saudade.