Quando um gosto de infância perpassa o estudo, se troca idéias, se partilha gostos, se constrói conhecimento, se faz perguntas, se brinca com as dúvidas.
14 de setembro de 2010
Doce (Dú)Vida
Quando um gosto de infância perpassa o estudo, se troca idéias, se partilha gostos, se constrói conhecimento, se faz perguntas, se brinca com as dúvidas.
12 de setembro de 2010
Sex and that City
Estaria correto o dito popular de que só percebemos o valor de algo quando o perdemos? Será que nós humanos precisamos primeiro experimentar para daí tecer as compreensões? Só depois de sentir na pele saberemos o gosto?
Pode ser que não seja assim, de modo geral, para todos, mas algo disso procede. Me descubro hoje, apaixonado pela cidade que deixei. Nossa convivência durou apenas um ano, mas estava tão preocupado com decisões pessoais que não dei a ela a chance de se dar a conhecer.
Zombei dela, acreditando que ela era o motivo da crise que vivia naquele período, todavia, ao contrário disso, percebo que foi ela que me deu as condições de perceber o rumo que de fato me cabia trilhar.
Não desfrutei de sua beleza, não me deixei tocar por seus formas, pouco andei por seus caminhos arborizados, caçoei do seu semblante ‘capital com jeito de interior’. Como o passado sempre nos alcança, hoje me dou conta de que a virada que empreendi começou lá e eu não soube respeitar aquele momento crítico.
Neguei seu abraço e corri para minhas seguranças. Quando disse que nada aconteceu de bom pra mim lá, fui inerte ao ambiente, desconexo, não deixei o tempo dar-me o tempo necessário para que a mudança cumprisse seu tempo de gestação. No embaraço, fugi de seus braços.
Hoje, noutra cidade que não faz jus ao seu nome, pois em nada me salva, percebo onde é que o sonho mora. Seriam só problemas de adaptação? Não, mas sim de adequação e predileção. Limitado por minhas próprias escolhas e alheio ao que realmente importa, descrevo a mim mesmo essa paixão interurbana e me contento em tentar uma reaproximação por vias tímidas.
Dos cremes, caldos e coxinhas. Das calçadas, parques e vilas. Das lojas, sebos e shoppings. Das chuvas, calores e poeira. Dos cinemas, danças e estudos, quero com paciência provar o gosto, namorar cada detalhe e fazer amor com aquela cidade. Tarde não significa nunca, e talvez, agora, eu volte mais maduro, como a cidade merece.
Nossa canção tocou na hora errada, mas meu desejo acanhado só pede um novo tempo para uma franca amizade. Meu romântico e descompassado coração pede seu alento para efetivar e afetivar a mudança que você, cidade, me ajudou a empreender. Você me apresentou o amor. Acredito que nosso caso terá várias temporadas e, quem sabe, filmes também. Pelo menos é o que me inspira o recado, entregue por mãos pedagogicamente confiáveis:
“bju de goiânia que tbém sente saudades de vc.”
Escrito ao som de "Sex and the City Theme" - Groove Armada
Imagem capturada em:
http://guilhermeribeiroimoveis.blogspot.com/p/uma-cidade-modelo-goiania-go.html
11 de setembro de 2010
ponteiros, mãos e nós
O avesso dos ponteiros - Ana Carolina
Seamisai - Laura Pausini e Gilberto Gil
Nada pra mim - Ana Carolina
Music of my heart - NSYNC e Gloria Estefan
Que se danem os nós - Ana Carolina
O tempo faz tudo valer a pena
E para que reste o recordar amanhã
Tenho só essa canção
Pensarei nos dias de antes
E nas esperas que te levaram para longe
folk theory
Venho andando pelos dias afora, afoito, aferindo-me as pressões demandadas pelas atuais lições de vida e morte que recito sozinho.
Fico e vou, volto e permaneço. Convicto, decido tomar a atitude, a água, o remédio que me faça mudar de idéia. Mas eu já sou essa idéia, negá-la agora, é desistir de um pedaço bom de minha existência.
Voluntariamente descubro minhas lacunas, destruo minhas lamúrias, destrono minhas leituras. Vergonhosamente comovo minhas pálpebras, como minhas unhas, movo minhas mãos.
Melhoro um pouco o humor, reparo as arestas do olhar e atuo bem perante meu público particular de convivência. Misturo tão bem a agonia e o prazer que, por determinado momento, convenço a mim mesmo que vou partir dessa para outra.
Sou outra vez, aquele moço entre canções platônicas, amores pré-socráticos, desejos cartesianos. Sinto tanto e experimento pouco, filosofo para extrair sentido disso que escrevo e assim encontrar outros modos para não (d)existir, nem morrer de (r)ir.
9 de setembro de 2010
Re (vi) vendo um sorriso
Todos os dias ao entardecer, o velhinho passeava em torno do lago do parque. Uma volta apenas, descia as escadas com dificuldade e se sentava no mesmo banco em frente aos bambus. Tomava um livro branco que trazia embaixo do braço e, lentamente, ia passando página por página, lendo cada detalhe com seus tristes olhos.
Parava de quando em quando, suspirava. Lágrimas desenhavam caminhos pelo seu rosto. Ao fechar os olhos, era como se um sorriso se desenhasse a sua frente. Naquele momento, pensar era ver. Uma espécie de empirismo romântico, de quem experimenta, pensa e sente ao mesmo tempo, tomava conta de seu semblante. Imagens pareciam fulgurar em seu corpo moldado pelo tempo.
Ele não tinha mais a agilidade do dançarino que fora um dia. Só o vigor de uma filosofia em forma de dança permeava seu jeito de ser. E ele seguia lendo seu livro infantil, “As Rosas Inglesas”, escrito por uma antiga e polêmica cantora batizada com o nome de Nossa Senhora.
Todas as tardes o mesmo livro, o mesmo banco, as mesmas lágrimas, como se por meio disso ele pudesse replicar uma inesquecível vivência. Tantas imagens num mesmo olhar, um beijo em sua mente, amor de tanto tempo, um sorriso a contemplar.
Sorriso de um homem que um dia o amou. E que junto dele se sentara nesse mesmo banco para ler e sorrir diante da mesma historinha. Jovens sonhando um mundo brincante. Todavia o tempo passou, a distância fez esvair uma parte no amor.
E o velhinho seguiu revivendo a cada dia sua história infante. Quando seus olhos cor de tamarindo já não mais podiam ler, só olhava, deixando as lágrimas desenharem caminhos em seu rosto e as imagens desenharem em seu corpo uma saudade risonha. E só, assim, quis ele envelhecer, deixando o tempo perpetuar-lhe em imagens aquele sorriso tímido tão bem desenhado em sua lembrança.

Escrito a partir da música "I see your smile" - Gloria Estefan
Imagem do Bosque dos Buritis, Goiânia/GO, capturada em:
http://www.panoramio.com/photo/30136823
Parava de quando em quando, suspirava. Lágrimas desenhavam caminhos pelo seu rosto. Ao fechar os olhos, era como se um sorriso se desenhasse a sua frente. Naquele momento, pensar era ver. Uma espécie de empirismo romântico, de quem experimenta, pensa e sente ao mesmo tempo, tomava conta de seu semblante. Imagens pareciam fulgurar em seu corpo moldado pelo tempo.
Ele não tinha mais a agilidade do dançarino que fora um dia. Só o vigor de uma filosofia em forma de dança permeava seu jeito de ser. E ele seguia lendo seu livro infantil, “As Rosas Inglesas”, escrito por uma antiga e polêmica cantora batizada com o nome de Nossa Senhora.
Todas as tardes o mesmo livro, o mesmo banco, as mesmas lágrimas, como se por meio disso ele pudesse replicar uma inesquecível vivência. Tantas imagens num mesmo olhar, um beijo em sua mente, amor de tanto tempo, um sorriso a contemplar.
Sorriso de um homem que um dia o amou. E que junto dele se sentara nesse mesmo banco para ler e sorrir diante da mesma historinha. Jovens sonhando um mundo brincante. Todavia o tempo passou, a distância fez esvair uma parte no amor.
E o velhinho seguiu revivendo a cada dia sua história infante. Quando seus olhos cor de tamarindo já não mais podiam ler, só olhava, deixando as lágrimas desenharem caminhos em seu rosto e as imagens desenharem em seu corpo uma saudade risonha. E só, assim, quis ele envelhecer, deixando o tempo perpetuar-lhe em imagens aquele sorriso tímido tão bem desenhado em sua lembrança.

Escrito a partir da música "I see your smile" - Gloria Estefan
Imagem do Bosque dos Buritis, Goiânia/GO, capturada em:
http://www.panoramio.com/photo/30136823
Sex and the 'Tic Tac'

Existe mesmo um tempo certo para cada coisa? Mesmo o que dura um segundo pode ser precioso? É só o tempo em que se está junto que valida uma relação? A distância ajuda ou atrapalha? Eterno é só enquanto dura?
Se tomamos por base a fluidez com que os contatos entre pessoas hoje se estabelecem e se dissolvem, de fato, relacionamentos durodouros tendem a sucumbir. Histórias de amor parecem, cada vez mais, enredo de filme de arte.
Concordo que o contato, a presença, o corpo a corpo, 'the face to face', a convivência, são possibilidades para que os acordos de uma relação se concretizem. No dia a dia é que o verbo se faz carne, o 'eu te amo' se efetiva e se afetiva.
Todavia, os pares não podem empreender uma simbiose constante, afinal trata-se de indivíduos particulares, com seus tempos e espaços próprios. Há de se ter um certo distanciamento crítico. Mas haveria uma necessária demarcação de tempo para a distância? Quanto tempo se resiste estar longe de quem se ama?
Um casal que namora por quase três anos e, fazendo as contas, passaram juntos (no mesmo espaço e tempo) em torno de sete ou oito meses, tem garantia de uma relação promissora? O que significa estar junto fisicamente?
É com corpo que amamos. É no corpo que se dá o amor, o desejo, a saudade. O sentimento de pertença, de ser junto, é físico, se dá no corpo, mesmo quando se está distante.
Quando não é possível 'estar junto' vale a pena 'ser junto'? Qual dos dois pode ser mais passageiro, 'ser' ou 'estar'? Amor se justifica por ser ou por estar? É o 'tic tac' que demarca a validade de um amor?
Deixemos o 'tic tac' passar e vejamos o que de ontológico permanece em nossos corpos amantes.
Imagem capturada em:
http://racabrasil.uol.com.br/cultura-gente/113/artigo57530-2.asp
8 de setembro de 2010
Sex and the Site

1)passivo afim fala para Todos: alguem afim de uma sacanagem hoje a tarde
2)pauCAM (reservadamente) fala para Pica_grande: e ae, é grande mesmo?
3)EuGozoNoSeuCu (reservadamente) fala para Todos: ????????????????
4)GP LASCADOR (reservadamente) fala para Todos: Gp, 23 anos, Moreno Claro, 1,83, 81 kg, 19 cm de caceta, Macho, Safado, discreto, Ativasso, fudião! Sigilo Absoluto!
5)moreninho sexyy fala para dou breja e cú: OLA PODEMOS CONVERSA
6)afim de real (reservadamente) fala para Todos: estou indo pro centro afim
'Alguém afim de real, agora?' Real ou virtual? São muitos os personagens, os discuros e as narrativas virtuais sobre sexo. Inventam-se fantasias mil no 'cabaré virtual' dos sites. Virtualidade e realidade coexistem somando as possibilidades do prazer.
A tecnologia online, sem dúvida, tem contribuído para uma das características do corpo que é formar o pensamento por imagens. O bate papo, nos sites de relacionamento, possibilita fazer sexo com imagens, sons e palavras.
É real o sexo virtual? Afinal, um corpo precisa de outro para sentir prazer sexual? Para um orgasmo é suficiente apenas a imagem do corpo?
As chamadas 'fantasias sexuais' podem ser formadas pela imaginação humana, que é um jeito de pensar. A imaginação emerge no corpo a partir de imagens, experiências, lembranças, ações e projeções.
Ao invés de 'fantasias', temos realidades, experiências, vontades, imaginações e pensamentos sexuais. Não dá pra saber o que vem antes, quem gera o que, imaginações e experiências, pensamentos e ações, são todos atrelados um ao outro.
Se o sexo pode ser feito por meio desse conjunto de imagens que o corpo experimenta, produz e carrega, então sexo e site são coisas que combinam? Exceto qualquer tipo de abuso indevido, as experiências dos sites de relacionamento, seja na virtualidade ou a partir dela, possibilitam relações afetivas e sexuais, expressando traços dessa combinação.
Como Madonna, penso que nunca se deveria ter vergonha, de quem se é, do próprio corpo, dos desejos, das fantasias sexuais. Intolerância, sexismo, racismo e homofobia existem por causa do medo que as pessoas tem dos próprios sentimentos e do desconhecido.
O corpo ainda não está obsoleto para o sexo. Sexo é corpo, um, dois ou mais corpos. Depende da imaginação. Nesses novos espaços que o corpo tende a habitar, pode ser que com o tempo se ouvirá dizer: "Imagem, muito prazer em te comer!"
Imagem do livro "Sex" de Madonna
7 de setembro de 2010
Sex and the Body

Somos animais filosóficos que se perguntam sobre vida, morte, política, tempo, sexo, etc. Ponderamos acerca da nossa corporeidade, sexualidade e afetividade, ou, pelo menos, temos essa possibilidade.
Corpo, sexo e afeto tem de estar sempre juntos? Que sentido tem 'fazer por fazer'? É possível sexo sem afeto? É, e bem o sabemos.
Nenhum sentimento moralista ou religioso está em jogo. Apenas questões próximas do velho binômio sexo x amor. Como fazer um sem o outro? Há uma necessidade biológica de prazer sexual no ser humano, aceita, válida e notória. Se é que sexo precisa ter sentido, onde encontramos sentido para transar?
Que sentidos se produzem em nós quando transamos sem amar? O sexo vale por si só ou necessita do afeto? Pessoas que necessitam que esses dois elementos andem juntos, são, necessariamente, problemáticas e antiquadas?
Os mistérios gozozos são infinitos. Mas, será que fazer sexo com amor seria só mais uma fantasia sexual? Penso que a carnalidade sexual está impregnada de sonho, desejo e sentido. No sexo os corpos se encontram e, sem romantismos adocicados, há um grau de intimidade recíproca nesse ato. Há afetos compartilhados, pois trata-se de entrar no corpo do outro, tocar-lhe o corpo de modo mais intenso e caloroso, não só com mãos que meramente 'pegam'.
Quem sabe existam certos corpos que encontram prazer na afeição. Afeiçoar-se é um modo de dar e receber, de relacionar-se, onde o cuidado com aquilo que se entrega ou se recebe molda o jeito de tocar, perceber e gozar. Quando o corpo se afeiçoa e afeta o outro, pode ser que o sexo não vire só gozação. Sexo e afeto são jeitos do corpo entrar em (con)tato com outros corpos, são modos do corpo proceder. Corpo, sexo e afeto são como fontes de vida e de prazer.
Para muitos, pensar/fazer sexo assim pode não ter sentido. E nem precisa. Para outros, o gozo chega inundado de afeição. De minha parte, empresto as palavras de Martha Medeiros e digo: "tragam flores para meus vasos sanguíneos". Doem afetos para (m)eu corpo humano.
Frase de Martha Medeiros no poema 32 do livro "Cartas Extraviadas"
Imagem: detalhe da capa do livro "Sex" de Madonna
um anjo veio me falar...
6 de setembro de 2010
you'll see
Silenciosamente os olhos ficam vermelhos e umedecem, diante de um 'Edgar' que se volta para as coisas simples da vida.
Apenas uma fragilidade 'água com açúcar' perante cenas emotivas de novela? Não, esses olhos já estão marejados de imagens memoráveis...
Imagens de sublimes encantos cotidianos, colhidas em outros olhos. 'Então chora, Edgar...'
resposta provisória
os demais serão só para esquecer
Por isso esperava, com o rosto molhado, que chegasse com rosas, desenhos animados e riscados, camisetas pintadas, livros e dvds... Mil rosas para mim.
Porque você sabe que essas coisas me encantam, não importa se é bobeira ou infantilidade, sou assim.
E ainda que me pareça mentira, que minha vida se escape imaginando que você volte a passar por aqui...
Onde a cada tarde, como sempre a esperança me diz: ‘quieto, talvez hoje, sim...’
Trecho da música "Rosas" - La Oreja de Van Gogh
a mãe e sendo
Uma manhã delicada e cinzenta surge através do vidro para o qual olhei a noite toda. Timidamente ela diz: 'Levante e ande!'
Penso no que fui. Lembro do que posso ser. Entendo que não sei ser o que preciso. Lamento sozinho engolindo nós nesse quarto sem portas para que ninguém ouça.
Ficarei aqui só até o necessário, cumprindo à risca a escolha feita. Enquanto esse dia não vem, curto a manhã cinzenta que quer fazer milagres em mim.
Foto: Odailso Berté
5 de setembro de 2010
game is over

Nesta repentina criação escrita, digo pra mim, em primeiro lugar, que o jogo acabou. Insisto em ouvir de novo a sentença, porque ainda me parece inacreditável, inaceitável, inalterável.
Você pode ler minha cara de blefe? Perdi, errei, danei, borrei. Junto agora os restos, fecho a mala e sigo pela trilha que aparece na clareira do meu estar nesse momento.
Desisto, insisto, persisto, existo. Desmistifico esse meu jeito infante de amar, corrigindo-me e certificando-me que mesmo aquilo que mais se aproxima dessa forma idealizada de amor que sinto, não existe, é pueril, esvai-se, acaba com extrema facilidade, deixa de ser como se nada tivesse feito sentido como parecia.
Será que tudo foi aparência que eu vesti de realidade? Quem era afinal? Quem conseguirei seguir sendo?
Amadureço perdas e cresço entendendo que a vida é menos ganhos. Suspiro profundo e solto ares tristes, de quem não soube atingir expectativas próprias e de outrem. A partida acabou, perdi a contrapartida, sou só derrota sem direito a revanche. Mais uma vez, vencido. Cheque mate!
Imagem capturada em:
http://todas-cores-da-vida.blogspot.com/2008/08/cr-de-chec-mate.html
4 de setembro de 2010
Quando um piano nos toca

O filme áustralo-franco-neozelandês "O Piano" (1993), dirigido por Jane Campion, possibilita construir tantos sentidos acerca do toque, do tato, da percepção.
O toque do colonizador que corta o toque do outro, que pisa na terra alheia e busca negociá-la como coisa útil, objeto de troca. Um toque que negocia coisas, pessoas, objetos afetivos, não é capaz de tocar outro corpo com cuidado e ternura e nem deixar-se tocar.
O toque de quem simula querer aprender tocar piano, quando na verdade, quer tocar e ser tocado pelo outro ser humano, a quem com carinho e paixão, consegue tocar até o mais sensível e sublime dos sentidos. Um toque que faz o corpo suar música.

O toque de um corpo que não fala verbalmente, coberto por rudes vestimentas, que faz fluir narrativas e música dos dedos, das mãos, dos gestos, dos olhos. Corpo que é capaz de morrer amarrado àquilo que lhe dá sentido para tocar e ser tocado. Corpo que fala, grita e geme sem pronunciar uma palavra.
O toque de um corpo infante, alado e brincante, que voa se fazendo ponte entre o corpo que não fala e o mundo que o interpela. Toque filial de quem dança se fazendo mensagem para possibilitar que outros corpos se toquem.

Imagens capturadas em:
http://cinemacomrapadura.com.br/filmes/1649/piano-o-1993/
http://sindromedeestocolmo.com/archives/2006/10/filmes_para_sub.html/
http://modacine.blogspot.com/2009/02/o-filme-o-piano-inspira-editorial-da.html
mãos pisadas
Insistência essa em deixar que pisem nas mãos e nos pés
Dançar abaixo do nível padronizado
Solicitar afetos que se afastam
Dançar ao som de Beatles inventados
Rastejar fluente pelo chão que acolhe
E ver o príncipe se fazer um sapo que não mais será engolido
Trecho do filme "Blush" de Wim Vandekeybus
learn to be lonely
Às sete da manhã os caminhos ainda estavam desertos. Ele, 'o fantasma da hora', atravessava a rua com o motivo corriqueiro de comprar pão para o café. A sensação de estar só, naquele momento, mesmo à luz dia, o fez filosofar perante os pães.
Sua insistência em permanecer naquela problemática afetiva desgastada seria por medo de aprender a ser só? O temor da solidão poderia ainda ascender aquela antiga premissa 'eu preciso ser amado'? Será que a necessidade ardente de afeto estaria ligada a algum entrave ocorrido no momento em que ele deixava de ser um (a)feto? Onde poderia residir o nó dessa insegurança?
A auto-estima do mascarado parecia estar calejada. O fato de não conseguir se desapegar demonstra que nele as relações estabelecidas se alicerçaram de modo sólido e verdadeiro, não em um terreno de areia. Porém, diante de tantos enganos, desconsiderações e imaturidade, por que seguir querendo?
O café foi rápido, até a fome parecia abandoná-lo. Suas dores de cabeça pela má postura, sua e de outrem, sentavam a seu lado e montavam nele. De um modo torto ele ia aprendendo a cultivar momentos de inteira entrega a si próprio como companheiro... Deixando de gostar para não mais se desgostar... "Learn to be lonely..."
Escrito a partir da música "Learn to be lonely" do filme "O Fantasma da Ópera", composta por Andrew Lloyd Webber.
Foto: Odailso Berté
3 de setembro de 2010
Martha me disse
o que me prejudica
é essa mania de dizer a verdade
quando deveria mentir
e fingir que estou à vontade
quando na verdade machuca
Do livro "Cartas Extraviadas" de Martha Medeiros
Imagem: detalhe da capa do mesmo livro
Imagem: detalhe da capa do mesmo livro
2 de setembro de 2010
(s)ex and the crise
Uma segunda temporada que finda... Expectativas que também parecem findar. Esperanças que também parecem ficar. Desejos tênues de que um 'big' amor possa se fazer amizade... Bons amigos, como nos filmes.
Será que somos capazes de confeccionar uma amizade com os retalhos de um romance? Os sentimentos podem ser modulados? A sequência de notas pode ser mudada afim de se compor outro estilo de canção? Poderão os mesmos corpos vibrar em outros tons estando nas mesmas presenças?
Sabe aquela vontade boba de sempre que algo estranho ou corriqueiro acontece você querer contar à ex-pessoa? É possível fazer dessa vontade destemida um ingrediente para a pretendida amizade?
Não há nada de heroísmo nessa tentativa. É árdua a tarefa de transfigurar o sentimento no sentido de reconfigurar as figuras sentidas. As palavras embaralham, se repetem, se disfarçam para tentar propor outros significados. Ato falho.
Salve os bravos amantes que se transmutam em amigos. X-MEN pode ir além da ficção, HQ, cinema, animação. Um sentimento mutante pode ser a solução para a crise dos corações partidos.
Amantes ontem!? Amigos hoje!?
1 sente falta de 2. 100 crises!
Foto: Odailso Berté
1 de setembro de 2010
I'm a perfect crush
É uma parte de mim que toma partido e parte... Para ser de outras partes. Se eu fosse anjo, diria, é uma das minhas asas. Se eu fosse uma obra de arte, diria, é meu mais lindo sentido a ser interpretado. Se eu fosse uma cidade, diria, é minha praça verdejante. Se eu fosse um rio, diria, é minha terceira margem.
Lidar com o todo quando falta uma boa parte, exige apagar certos registros e reorganizar modos de ser, querer, proceder. Me custa admitir, mas não quero esquecer. É ruim não poder desejar, mas me traio nas imagens. Me esforço para desmanchar as memórias, mas choro qual criança abandonada pela mãe.
Me erro, me traio, me esqueço. Padeço da fome que causo. Transpareço o alheio que me acolhe com indiferença. Pereço de amor não durável. Liberto angústias em forma de prazer. E mais uma vez, o pranto tem forma de gozo.
Voa, mas deixa penas. Duras penas. Pena que não pude mais... Há penas a serem cumpridas. Apenas deixo meu contento correr solto abaixo de zero. O que voa solto pode um dia cruzar de novo os ares dessa ‘queda’ chamada eu.
Escrito a partir da música "Fly" - Celine Dion
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