30 de outubro de 2010

Sex and the Complicity


O que vem a ser a cumplicidade? Até que ponto podemos usar seu significado para qualificar uma determinada relação?

Ser cúmplice é ser conivente, é comungar de atos, pensamentos, sentimentos e entendimentos. Dizer que duas pessoas são cúmplices uma da outra é dizer que elas compartilham dos mesmos feitos, dos mesmos crimes, dos mesmos gostos, das mesmas atrocidades, das mesmas esperanças.

Trata-se de um alto grau de adesão um ao outro e de um nível de confiabilidade que, a priori, confere ao relacionamento e às trocas um comprometimento mútuo, a partir do qual, o bem estar do outro é sempre uma meta de ambos, custe isso o que custar. Portanto, qualquer elemento que possa minar o entrelaçamento é evitado, ou, sequer, cogitado.

Dizer-se cúmplice de alguém será uma tarefa simples? Será que estamos aptos a assinar embaixo e/ou assumir junto qualquer atitude que o outro possa tomar?

Penso que existe uma certa cumplicidade implícita nos corpos quando uma relação começa. Na chamada ‘química’, ou, empatia inicial, que faz com que duas pessoas se aproximem, já existe um grau de cumplicidade ainda não maturado pelo cotidiano da relação que vai dando a conhecer o que cada um é.

A cumplicidade do momento pode levar a uma cumplicidade de convivência e esta, pode vir a ser corrompida com o passar do tempo. Nossa cumplicidade humana pode ir encontrando outros aliados com os quais o crime pode compensar mais. Assim somos nós, no fundo, cúmplices de nós mesmos e do que mais nos convém.

Invocar o teor da cumplicidade para qualificar uma relação exige o cumprimento de cláusulas éticas anteriores a qualquer encontro. Como por exemplo, não mentir ao próximo. Cumplicidade não deveria ser uma palavra bonita que funciona só na ficção, mas uma prática que, quando vivida, faz dos pares uma amálgama curiosa e bem peculiar.



Imagens capturadas em:
http://picsdigger.com/keyword/timon%20i%20pumba/

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